Diferente do que a maioria das pessoas pensam, ele não é um carro de combate, ele é um carro de apoio. A principal finalidade dos veículos blindados é proteger a vida dos elementos da guarnição e romper as barreiras físicas utilizadas pelo narcotráfico. Os blindados são essenciais ainda no apoio ao resgate de unidades policiais encurraladas e na remoção de feridos dos cenários de confronto. . Apesar de ser criticado por entidades de Direitos Humanos, o Caveirão é defendido pelas polícias como medida de segurança aos policiais. De acordo com estimativas da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, o uso desses veículos blindados reduziu pela metade o número de mortes entre os policiais nas operações contra os narcotraficantes.

Policiais do BOPE ao lado do Caveirão
A blindagem do veículo "Caveirão" suporta fortes disparos, como os de fuzil 7.62, de submetralhadoras e de algumas metralhadoras. Entre as rodas e os pneus do veículo é instalado um anel, como se fosse outra roda, feita de aço reforçado. Essa blindagem propicia mais tempo caso seja necessária uma fuga. Mesmo se os pneus forem atingidos por tiros, o Caveirão consegue rodar cerca de 20 km, a uma velocidade de 80 km/h. A carroceria é totalmente blindada com chapas de balístico (um aço especial) e mantas de aramida. Entre os vidros há películas de substâncias bem resistentes, como polivinil butiral, policarbonato e poliuretano. Além disso, escudos de aço são baixados sobre o pára-brisa quando se está sob tiroteio. Mas como qualquer veículo blindado, não pode ficar tranqüilamente sob fogo contínuo. Mesmo com toda a proteção que ele oferece, os policiais precisam agir rápido, antes que as avarias sejam tantas que as balas comecem a entrar.
O Caveirão em corte
O Caveirão não possui armas acopladas. Os policiais atiram através de 20 seteiras, buracos protegidos por portinholas. O cano das armas se move cerca de 50 graus para cima e para baixo. Mas, como é difícil atirar com precisão,os policiais recebem treinamento para só disparar na hora H.
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Os policiais atiram através de 20 seteiras, buracos protegidos por portinholas. O cano das armas se move cerca de 50 graus para cima e para baixo. |
Nas favelas do Rio, os narcotraficantes têm cavado fossos e colocado obstáculos de concreto, trilhos de trem e pedras para impossibilitar a entrada do Caveirão. A exemplo das condições operacionais enfrentadas pelas tropas da ONU no Haiti, o BOPE teve que incorporar uma máquina escavadeira para fazer a desobstrução das vias para que os blindados pudessem passar: é a engenharia de combate sendo utilizada pela primeira vez em ações policiais no Brasil.
Os veículos se caracterizam por sua pintura preta, pelo logotipo do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar (BOPE), que apresenta uma caveira com uma adaga encravada e garruchas douradas cruzadas (daí o apelido), e pelo uso de alto-falantes que avisam a chegada do blindado. Seu uso é razão de extrema controvérsia entre setores da sociedade.
De um lado, defende-se a continuidade das operações, e mesmo sua ampliação, em razão do papel que teriam para trazer segurança aos agentes da lei. De outro lado, defende-se a abolição imediata das operações, pois as incursões seriam violadoras massivas de direitos humanos segundo estudiosos dos direitos humanos.
Veículos policiais especiais usados para intervenções nos guetos, foram inicialmente utilizados na África do Sul, entre 1948 e 1994, pelo regime do Apartheid. Esse tipo de veiculo é costumeiramente usado em países como os EUA para enfrentar bandidos fortemente armados, com os quais uma blindagem comum ou mesmo a falta dessa poderia vir a ocasionar lesões graves a policiais. Seguindo o mesmo preceito, é usado nas favelas da cidade do Rio de Janeiro devido ao armamento usado pelos traficantes: fuzis, granadas e armas antiaéreas.
Em 2010, a Polícia do Rio de Janeiro está se preparando para uma nova geração de Caveirões, menores e mais ágeis.
Além desses veículos a Unidade de Demolição do BOPE conta com pá mecânica, retroescavadeira, caminhões e trator de esteira, apelidados de "transformers". Essa é uma linha de veículos especialmente encomendados para destruir barricadas do tráfico nas favelas. Antes o BOPE usava equipamentos emprestados, que nem sempre estavam disponíveis e, caso houvesse danos, era preciso arcar com os custos.
Galeria de veículos do BOPE:

Um dos "transformers" do BOPE em operação sobe um morro. A cabine é blindada e tem ar-condicionado.

Um "transformer" usa um rompedor para quebrar obstáculos colocados pelo trafico.

Caminhão Munck do BOPE que pode facilitar o acesso dos caveiras a locais elevados como janelas de prédios.

O BOPE usa também veículos leves, como pick-ups, para rápidos deslocamentos.

Um Trailer é usado para apoio das operações

Apesar de não ter seus próprios helicópteros o BOPE tem capacidade de realizar operações helitransportadas usando para isso
helicópteros da PMERJ ou da Polícia Civil.
Armamento individual

Fuzil Colt de 5,56mm baseado no M16A1

Devido às exigências de sua atuação em situações especiais, é disponibilizado um armamento diferenciado aos policiais que servem no BOPE, como exemplo:
-Fuzil FAL calibre 7,62 x 51 fabricado pela IMBEL
-Fuzil Para-FAL calibre 7,62 x 51 fabricado pela IMBEL
-Fuzil Colt M16 calibre 5,56 x 45
-Carabina Colt M4A1 calibre 5,56 x 45
-Fuzil AK 47 calibre 7,62 x 39
-Fuzil HK G3 calibre 7,62 x 51
-Fuzil HK PSG calibre 7.62 x 51
-Carabina M1 calibre .30 (7,62 x 33)
-Escopeta Benelli M3 (modelo Pump-action)
-Pistola Taurus PT 92 calibre 9 mm
-Pistola Taurus PT 100 calibre .40
-Submetralhadora HK MP5 e MP5K calibre 9mm
-Submetralhadora FN P90 calibre 5,7 x 28
-Submetralhadora HK21 A1 calibre 7,62 x 51
-Explosivos de uso militar
-Granadas

Submetralhadora HK21 A1 calibre 7,62 x 51 de alimentação por fita de eles metálicos. É normalmente usada na torre do Caveirão, mas também pode ser utilizada por equipes em deslocamento a pé. É uma típica arma de apoio de fogo, necessária devido ao poder de fogo dos traficantes e por diversas vezes já salvou equipes do BOPE em combate.

Submetralhadora FN P90 5.7x28

Equipe Tática do BOPE planamente equipada com fuzis Colt, pistolas e granadas, além de capacetes balísticos

Explosivos são usados para destruir os pontos fortificados dos traficantes
Preparo físico
O preparo físico é essencial. Cada turno começa com exercícios físicos. No Rio só a Zona Sul é plana, as demais áreas. Existem cerca de doze tipos de protocolos de treinamento, um para cada tipo de terreno. Os militares do BOPE são submetidos constantemente a exercícios de reforço muscular. Isto é necessário porque os militares podem passar as próximas 24, 48 ou 72 horas em missão em qualquer terreno, só sendo substituídos três dias depois. Os homens do BOPE são submetidos constantemente ao Treinamento Físico Operacional ( Treinamento Físico para o Combate Urbano) elaborado pelo Preparador Físico Jorge Otero. Os militares realizam apoio de frente e abdominais com seus fuzis .
Artes Marciais
Devido às missões de alto risco, os membros do BOPE devem estar preparados para responder a qualquer agressão, o que inclui travar o combate corpo a corpo. Assim, este corpo de elite treina diversos tipos de artes marciais como por exemplo:
* Ving Tsun – Arte Marcial de origem Chinesa
* Jiu-Jitsu – Arte Marcial de origem Indiana e aprimorada no Brasil a partir das técnicas de Ne Waza do Judô “Brazilian Jiu Jitsu”
* Muay Thai – Arte Marcial de origem Tailandesa
* Kombato – Sistema de defesa pessoal de origem brasileira
* Krav Magá – Sistema de defesa pessoal de origem israelense
Comunicação
A comunicação durante uma missão do BOPE é fundamental. A comunicação é feita através de vários tipos de aparelhos de comunicação como rádio tático, Nextel e celulares. Os homens também se comunicam entre si através de sinais.
Planejamento das missões
Para que qualquer missão do BOPE seja bem sucedida, existe todo um trabalho de planejamento no tempo da pré-missão com o intuito de organizar todos os procedimentos, prever diversas hipóteses, escolher as melhores opções táticas e operacionais, além de buscar padronizar todas as condutas, para que durante a missão se possa maximizar a capacidade da tropa e se obtenha o máximo de rendimento, como o máximo de segurança e o mínimo de esforço, sem correr riscos desnecessários.
Para um bom planejamento pré-missão o BOPE conta com o apoio da inteligência que deverá fornecer informações sobre o terreno, rotas de acesso e fuga, capacidade bélica do inimigo, etc. São usados mapas, fotos, filmagens, maquetes, cartas cartográficas, croquis, relatórios, analises de operações anteriores, entre outras fontes para fornecer o máximo de informações. A coleta de inteligência é feita através de informantes, escuta telefônica, Disque-Denúncia, material da impressa, reconhecimento à paisana, etc.
Táticas - Progressão em favelas
O combate em ambiente urbano apresenta-se como um cenário tático complexo e desgastante. As edificações não só impedem que os soldados tenham campo de tiro e vigilância abertos, como também proporcionam ao inimigo defensivo múltiplas posições de fogo seguras. O grande número de civis na zona de ação pode gerar uma necessidade de auxílio humanitário e limitar as posições e opções da tropa. Nesse contexto, o Teatro de Operações da cidade do Rio de Janeiro é um dos mais complexos do mundo. Em um só terreno ele possui elementos de combate em localidade, selva e montanha.
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A técnica de progressão em favelas foi desenvolvida no Brasil pelo BOPE-RJ, pela necessidade de agir no caos das ruas estreitas de favelas e morros da cidade do Rio de Janeiro. |
Formar uma tropa que esteja pronta para cumprir missões nestes cenários, que saiba combater em área densamente povoada, contra um inimigo descaracterizado, fortemente armado e que tem a vantagem tática de estar no alto, é um desafio.
A técnica de progressão em favelas foi desenvolvida no Brasil pelo BOPE-RJ, pela necessidade de agir no caos das ruas estreitas de favelas e morros da cidade do Rio de Janeiro. As favelas se tornaram uma área hostil à polícia devido ao crime organizado, e era um grande obstáculo para as ações policiais, pois normalmente os criminosos possuem uma visão privilegiada posicionando-se estrategicamente nos morros. O BOPE conquistou o respeito de unidades militares estrangeiras por agir nesses ambientes urbanos de alta dificuldade.
Na hora de subir o morro, os homens do BOPE vão muitas vezes em patrulhas de 8 a 20 homens. Os mais experientes e habilidosos vão na frente e os companheiros ficam com a missão de “proteger” a retaguarda e as laterais.
Uma equipe de patrulha de 8 homens é composta dos seguintes elementos: 1º Ponta de Vanguarda, 2º Ponta de Vanguarda, Comandante (comanda a patrulha), Tarefa Especial (é quem aborda e faz a revista em algum suspeito, ele também tem a função de conduzir equipamentos especiais ou homens presos, por exemplo), Atirador, Sub-Comandante (comanda os pontas de retaguarda), 2º Ponta de Retaguarda e 1º Ponta de Retaguarda. Quando o a patrulha está saindo, o ponta de retaguarda passa a ser o ponta de vanguarda. O ponta sempre é o homem mais experiente. Todos se comunicam por gestos e o comandante se comunica com outras unidade por rádio.
Eles usam táticas especiais de combate como a conhecida por “dois por um”: quando estão nos becos das favelas um dos soldados aponta a arma para cima (o soldado fica em pé) e o outro aponta para baixo (o soldado fica abaixado). Em caso de começar uma troca de tiro com os bandidos o soldado que está agachado se deita, o que está em pé se agacha e um terceiro homem do Bope vem na cobertura.
Outra posição é a “três-meia-zero”, que consiste em fazer um círculo apontando suas armas pra frente, um círculo de 360 graus, por isso o nome da posição. O objetivo é proteger o policial que fica dentro do círculo (a Roda de Fogo) ou porque está ferido ou porque está falando no rádio e precisa da proteção dos companheiros.
Outra tática muito comum usada pelo BOPE é o “ataque surpresa”. Eles sobem, silenciosamente, pela encosta de um morro onde, do outro lado, na outra encosta há uma favela e onde querem surpreender os traficantes. Quando chegam ao topo do morro descem de rapel pela outra encosta (onde está a favela e os bandidos) chegando direto ao alvo pegando todo mundo de surpresa e realizando a ação.
O movimento mais perigoso numa ofensiva em localidade é entre posições, quando os soldados ficam expostos a atiradores e ao fogo de armas automáticas, ficando nitidamente enquadrados nas ruas e edificações.
Para proteger a tropa numa incursão na favela, os policiais são apoiados por “snipers urbanos”, que são os olhos da equipe, uma solução igualmente encontrada pelos Fuzileiros Navais brasileiros para apoiar a progressão dos seus Comandos Anfíbios durante operações no Haiti. Quando os soldados “sobem o morro” e são recebidos à bala, cabe ao atirador identificar a fonte dos disparos e neutralizá-la, para que a força possa progredir com maior segurança.
Os snipers do BOPE
Eles são uma elite dentro da elite. Os homens que compõem o pequeno o Grupo de Atiradores de Precisão (GAP) passam um treinamento de altíssimo nível que exige sempre muita perícia, disciplina e preparado físico, pois os atiradores as vezes ficam horas na mesma posição para efetuarem um único disparo. Os atiradores de elite do BOPE treinam pelo menos 4 horas por dias, mas só é considerado um atirador especializado depois de 5 anos de atuação. Normalmente as regiões do corpo que são visadas é a cabeça e a região do tronco. No BOPE existem cerca de 15 atirados de elite de prontidão. Cera vez em uma missão, usando rifles de precisão G3 os snipers do BOPE eliminaram três traficantes em 4 segundos a uma distancia de 100 metros.
O dia de um atirador de elite começa às 8h, quando vai aferir seu fuzil. No stand de tiros, o primeiro disparo não acerta com perfeição o alvo de papel a 100 metros de distância. O cano da arma ainda está frio. O segundo e o terceiro disparos são para corrigir o primeiro e os 47 demais, para se manter preciso. Uma vez por semana, os 15 atiradores de elite do Bope treinam juntos e são avaliados. Na polícia do Rio, passaram a ter mais atenção há nove anos, após o a fracassada ação no seqüestro do ônibus 174 quando refém e o seqüestrador morreram.
O objetivo de um sniper do BOPE em caso de refém é atingir área vital da cabeça entre o nariz e a boca, por isso os treinamentos são exaustivos. Se o indivíduo não for neutralizado imediatamente, se o bala não atingir o ponto certo, se ele não cair morto, pode ter tempo de atirar na vítima, e a operação de resgate fracassa.
A decisão de puxar o gatilho durante uma ação policial com refém é o último e mais arriscado recurso. Antes disso, o sniper atua como um excelente observador avançado, sempre auxiliado por um outro policial que é chamado de spoter, e esse policial que passa as coordenadas sobre distância do alvo e o clima ao atirador. Ele não pode errar com essas informações pois o sniper prepara o seu fuzil de acordo com esses dados. Como se posiciona em lugares altos, o atirador tem condições de colher informações sobre o inimigo durante os longos períodos da negociação e repassá-las por rádio para o comandante. Só ao final de todas as tentativas, quando o comandante envia o sinal, é que o sniper entra em ação. Mas na verdade quem escolhe o momento certo é o atirador
Nas operações em favela, sempre há pelo menos um sniper. Fica a cem metros do local do tiroteio, de onde consegue observar quem esteja ameaçando a vida de um colega de farda. O objetivo é neutralizar o bandido de forma definitiva, pois mesmo ferido, pode atirar num policial.

Sniper do BOPE, do Grupo de Atiradores de Precisão, com um fuzil HK G3 fuzil G3-SG1, com a excelente luneta Leopoldi que aproximava seis vezes a imagem natural..

Heckler & Koch G3SG/1 - 7.62x51mm NATO

Atirados do BOPE em treinamento no estádio do Engenhão, no Engenho de Dentro, zona norte da cidade do Rio.
O BOPE em ação
Não há muita rotina no BOPE. Os policiais desta unidade podem ter um dia no qual passam a maior parte do tempo no quartel ou no treinamento como pode ter um dia de operação full time, todo o tempo. E que excede, inclusive, o horário de trabalho deles. Não raro, os policiais do BOPE ao terminarem o horário de serviço, continuam por muitas horas.
“Quando ninguém consegue resolver, chamam o Bope”, diz o Capitão Nascimento no filme Tropas de Elite. Rodrigo Pimentel, que usou sua experiência no BOPE para escrever o livro Elite da Tropa e serviu de base para a construção do personagem Nascimento: “Os traficantes tinham invadido uma casa para se esconder. Atiravam, e acabaram acertando a perna de um PM. A polícia não conseguia mais sustentar a situação. Chamou o BOPE. Era uma favela em Niterói. Cheguei com a minha equipe de 8 homens. Os bandidos diziam que estavam com reféns... E eu não tinha levado um negociador, um policial treinado para dissuadir criminosos. Sabia que eles estavam bem armados, já que o barulho de um fuzil AK-47 é bem característico. Eram 11 da noite. Como tinha o tempo a meu favor, esperei amanhecer. Mandei o Gláucio, um soldado muito valente, ir rastejando até a casa para arremessar uma granada pela janela. Uma granada não letal, do tipo ‘luz e som’. Mas ela não entrava. Batia na janela e acabava estourando do lado de fora. Aí o Gláucio sugeriu que a gente abrisse um buraco na casa. À bala. Atiramos com os fuzis e deu para abrir um rombo do tamanho de uma bola de futebol. Então jogamos a granada. Funcionou: conseguimos invadir a casa sem matar os marginais.” O capitão Rodrigo tinha 24 anos. E esse foi só o fim de mais um dia de trabalho nos anos em que ele bateu cartão no BOPE, entre 1995 e 2000. Depois da noite em claro, acabava seu turno de 24 horas. O BOPE contabiliza diariamente em um quadro a quantidade de armas capturas e o número dos criminosos mortos.

O famoso Fuzil Para-FAL calibre 7,62 x 51 fabricado pela IMBEL
Também rolam ações planejadas com antecedência, principalmente para invadir depósitos de armas, esconderijos de drogas e capturar foragidos. Nesses casos, o fator-surpresa é fundamental. Uma das táticas é subir morros por trás e descer de rapel para atacar o inimigo de surpresa; outra, cercar uma favela de forma ostensiva, com um monte de viaturas, dando toda a bandeira de que vão subir em busca de algo ou alguém. Aí, quando a atenção dos traficantes dos morros ao redor estiver voltada para a invasão iminente, o BOPE sobe o morro vizinho para pegar todos desprevenidos. Às vezes acontece algo mais pitoresco, como quando mandaram a PM matar os cachorros de uma favela durante o dia, dizendo que era por causa de uma epidemia de raiva, para invadirem à noite sem os latidos que alertariam os traficantes.
Na hora de subir o morro, os soldados vão em patrulhas pequenas e silenciosas, de 8 a 20 homens. O homem mais habilidoso vai na frente, guiando o grupo pelos becos das favelas. Outros ficam com a tarefa de proteger as laterais e a retaguarda. “A patrulha caminha com olhos para todos os lados”, diz o ex-capitão Paulo Storani.

Equipes do BOPE em progressão nas favelas

Se a violência é maior, pelo menos a corrupção tende a ser mais branda no caso das tropas especiais. O motivo principal é que essas tropas não fazem patrulhamento em lugares fixos e têm de agir rápido. Isso torna mais raras as oportunidades de pedir caixinha em troco de vista grossa. No Bope, a coisa virou questão de honra. Caveira não se suja com isso. Ponto. O livro Elite da Tropa até relata a execução de um soldado corrupto pelos colegas. Claro que Rodrigo Pimentel não confirma. Mas também não desmente. Apenas diz: “O BOPE abomina corrupção. Não tolera. Quando um policial novato roubou o relógio de um traficante, virou inquérito, e ele acabou afastado”.
Em off, atuais e ex-integrantes do BOPE confirmam há tortura em muitas operações. Em Elite da Tropa, surgem métodos que deixam no chinelo o onipresente saco de asfixia. “No livro, misturamos e recombinamos propositalmente cenários, fatos e personagens para que ninguém pudesse identificar as ações. Mas basta fazer um levantamento de 10 anos da crônica policial para encontrar os fatos narrados”, afirma um dos autores da obra, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, secretário de Prevenção à Violência de Nova Iguaçu (RJ) e ex-subsecretário estadual de Segurança Pública do Rio. Porém tortura é crime, e em 1997 o crime de tortura foi definido por lei: empregar a violência para provocar sofrimento físico ou mental.