domingo, 13 de fevereiro de 2011

O que faz um Oficial da Polícia Militar?...


Essa é uma curiosidade comum, principalmente entre os que querem seguir a carreira de Oficial na PM. No entanto, a maioria só vai saber depois de formados, quando sabem.

Todo mundo que vai fazer o concurso deveria antes saber onde está se metendo. Tem que procurar saber como é a carreira, a hierarquia, o salário, os prós e os contras da profissão, ou seja, tudo que possa influenciar em sua escolha. E depois do Diário de um PM e de tantos outros blogs policiais, não há mais desculpa para a falta de informações sobre o assunto :)

Então o Leandro, leitor e concursando, fez muito bem em perguntar o que faz um Oficial da PM. Minha resposta é baseada na “Análise Ocupacional dos Oficiais da PM”, uma nota do Gabinente do Comando Geral de 17 de maio 1985, quando o Comandante Geral era o Coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira.

Vamos ver o que faz (ou deveria fazer) um Oficial da Polícia Militar.

Coronel e Tenente Coronel

Comanda Unidades Operacionais e Dirige ou Chefia Órgãos de Direção Geral:

Orienta os oficiais e praças;

Interpreta para os seus subordinados a política de emprego do Comando Geral em função das prioridades da Corporação; Planeja o emprego operacional do pessoal;

Quando precisa, aciona o Estado Maior da Unidade e o Comandante de Companhia;

Responsabiliza-se pela observância dos princípios técnicos da profissão;

Responsabiliza criminalmente aqueles que infrigirem a lei penal militar, nos casos de inquérito policial-militar e de flagrante delito;

Gere atividades administrativas e financeiras;

Raciona o emprego dos recursos humanos e materiais disponíveis, empenhando-se para que os mesmos estejam sempre em boas condições de emprego;

Desenvolvendo medidas de integração comunitária;

Detecta angústias e os anseios dos integrantes da Unidade para tentar atendê-los no âmbito da Unidade ou levá-los ao escalão superior;

Infunde o entusiasmo e orgulho pela profissão e pela Polícia Militar.

Responsabiliza-se pelas políticas de pessoal, finanças, ensino e apoio logístico, bem como assessora o Comandante Geral nestas áreas e nas informações, Comunicações, Comunicação Social e Operações Policiais Militares.

Major

Chefia Seções do Estado Maior da Unidade Operacional:

Assesora o Comandante da Unidade no planejamento do emprego da Unidade Operacional nos assuntos relacionados com pessoal, informações, operações e apoio logístico, bem como na administração financeira e de material;

Supervisiona o cumprimento das normas técnicas e táticas do policiamento e das normas administrativas;

Propõe ao Comandante da Unidade medidas tendentes a otimizar o emprego dos recursos humanos e materiais;

Assessora o emprego de recursos humanos e materiais;

Assessora o Comandante da Unidade no planejamento operacional.

Capitão

Comanda Companhia das Unidades Operacionais:

Orienta e instrui os oficiais e praças da Companhia;

Interpreta as ordens de modo a motivar os integrantes da Companhia a trabalhar com empenho;

Supervisiona o cumprimento das normas e dos regulamentos por parte de seus homens;

Preside inquérito policial militar e lavra flagrantes de delito de crime militar praticado por policiais militares;

Procura identificar as angústias dos seus subordinados relacioandos com os problemas da profissão;

Ouve-os, no sentido de tentar solucionar seus problemas particulares ou levá-los ao escalão superior;

Responsabiliza-se perante o comandante de Unidade pelo emprego correto do pessoal da Companhia;

Empenha-se para que os recursos materiais destinados à atuação da Companhia estejam sempre em boas condições de uso;

Zela pela boa apresentação individual dos componentes da Companhia;

Relaciona-se diretamente com os diversos segmentos da comunidade;

Busca apoio à ação do pessoal no policiamento;

Infunde entusiasmo e orgulho pela profissão e pela Polícia Militar.

1º e 2º Tenentes

Auxilia os Comandantes de Companhia nas Unidades Operacionais:

Comanda frações de tropa empregadas em operações policiais militares;

Orienta e instrue os Sargentos, Cabos e Soldados;

Supervisiona a atuação do pessoal no policiamento;

Ouve as praças para procurar ajudar a sanar seus problemas particulares ou levá-los ao conhecimento do Comando da Unidade;

Zela pela boa apresentação do pessoal e pelo bom estado de conservação dos meios materiais destinados à atuação da companhia;

Relaciona-se diretamente com o público buscando apoio ao policiamento;

Representa, na condição de Oficial de Dia, o Comandante da Unidade nos horários fora do expediente, particulamente no que se refere ao policiamento;

Infunde, pelo exemplo, entusiasmo e orgulho pela profissão e pela Polícia Militar.

10 coisas que os policiais ouvem freqüentemente na rua...


1. Seu policial, não consigo dormir com esse barulho que vem da casa ao lado! A PM vai ao local e manda abaixar o som. A PM sai do local e o som é aumentado.

2. Só agora vocês chegam? Agora não precisa mais! Reclamando quando a PM chega ao local de ocorrência. Sequer reparam na viatura, caindo aos pedaços.

3. Meu marido me bateu e me expulsou de casa. (Atualização: “mas não prende ele não, é para vir aqui só dar um susto nele”). O que essa pessoa pensa, que nós somos fantasmas e saímos por aí assustando os outros? (sugestão da Soldado Perla do 11º BPM. Obrigado Perla!)

4. Meu filho está desaparecido há cinco dias.

5. Meu pai me bateu. Ou “minha mãe me bateu”. Ou “meu irmão me bateu”. Ou ainda “minha irmã me bateu”.

6. Ué, e vocês estão aqui pra quê? Exigindo que resolvamos o problema de qualquer jeito.

7. Depois querem aumento. Não fazem nada! Risos

8. Eu pago o teu salário! E paga mal.

9. Quero fazer um Registro pra não pagar segunda via de documentos. Ah, põe aí que eu fui roubado. Por essa quem passa são os policiai civis. 10. Atenção todas as viaturas. Troca de tiros entre policiais e diversos elementos fortemente armados. Queiram se deslocar para o local em apoio e com a devida cautela. É rezar e ir.

Mãe de policial sofre!


Mãe de policial sofre. Sofre desde antes do filho se tornar um, porque nenhuma delas quer ouvir o filho, depois de grandinho, dizendo que vai ser policial. Não é assim em todos os países, e não arrisco falar de todos os estados fora do Rio. Mas posso afirmar que no Rio de Janeiro as mães não gostam que seus bebês entrem para a Polícia.

Mãe de policial sofre durante o curso de formação do filho. Ao ver seu menino de cabeça raspada, mais magro que o habitual e com aparência de cansaço, após as longas sessões de tortura a que é submetido, fica se perguntando “o que estão fazendo com meu menino?”. E não entende porque ele continua com aquela loucura.

Claro que na formatura dá orgulho. Aquela cerimônia bonita, discursos bonitos, uniformes bonitos, e o filho então, é o mais bonito de todos. Mas a mãe sofre quando o filho é destacado para uma unidade onde a área é perigosa. E ora todos os dias para Deus protegê-lo, e, se for da vontade Dele, que seu filhinho seja escalado somente em serviços internos.

Mãe de policial sofre porque não sabe se o filho vai voltar para casa após o serviço. Por isso faz aquele monte de recomendações redundantes, tipo esconder bem a farda e não carregar a identidade funcional na carteira. E pede pelo amor de Deus, para ele parar de andar armado.

Depois que a mãe deixa de ser simplesmente mãe, e vira mãe-de-policial, se torna defensora ferrenha dos policiais. Porque mãe de policial sofre quando falam mal da Polícia perto dela. Sai em defesa dos policiais, mas só diz que tem filho policial em último caso. Sabe que é perigoso, quanto menos gente souber, melhor para a segurança dele.

A mãe de policial deve ser das mães mais xingadas, ficando atrás apenas das mães dos árbitros de futebol e dos políticos. As mães de policiais não merecem isso, mas o sofrimento delas é inevitável.

Mãe, qualquer semelhança não é mera coincidência. =) Parabéns a todas mamães sofredoras do Brasil!

Pena não, pau!...


Pena não, pau!

Trabalho em uma pequena cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, considerada pacata e com uma população acolhedora. Como em todo o Estado, o efetivo policial é pequeno, um número irrisório que se desdobra para conseguir suprir as necessidades da comunidade. Pense comigo: se na capital (onde existe a pressão/fiscalização da imprensa) faltam policiais para cobrir toda a demanda, imagine então a situação dos municípios de menor importância para o Estado. Dessa forma, fazemos o que está ao nosso alcance, até gostaria de contribuir mais, contudo as porradas que já tomei na PM me ensinaram que para sobreviver lá dentro a primeira regra é não “querer demais”, entenda como quiser…

O dia estava tranqüilo, ainda bem, afinal éramos apenas dois homens para vigiar a pequena Delegacia da cidade – com pouco mais de dez detentos – e ainda atender os eventuais chamados da população. Como atender as emergências em tais condições? Na PM há jeito para tudo. Aliás, jeito não! Jeitinho… O bom e velho jeitinho brasileiro é aperfeiçoado na polícia. É isso ou você não dura um dia. Assim, sempre que precisávamos nos ausentar da Delegacia para alguma ocorrência recorríamos a um dos presos. Um senhor de meia idade, que após tanto tempo no ambiente já gozava de certaconfiança e dispunha de regalias que os outros não tinham, tais como livre circulação pelo prédio e até mesmo pequenas concessões de “liberdade provisória”. Em troca, ele ficava de plantão sempre que fosse preciso, atendendo as ligações ou operando o rádio (atividade que realizava até melhor que outros policiais). É o chamado preso de confiança. A solução é dar-lhe crédito. Que outra alternativa se tem?

No início ficamos revoltados, depois nos acostumamos e sem perceber já estamos rindo da própria desgraça. Rir é o melhor remédio, brasileiro adora rir de desgraça (inclusive da própria), e no país da piada pronta motivo não falta. E se faltar, a gente inventa. Por isso, considero o meu ambiente de trabalho até agradável, quer dizer, ao menos consigo dar boas gargalhadas com as presepadas que antes de entrar na Gloriosa jamais pudesse imaginar que fossem possíveis.

Desculpa te enrolar tanto para chegar aonde quero, mas é difícil ficar limitado a uma só história quando se fala da PM. Como dizia no início, estávamos eu e outro soldado indo atender a mais uma ocorrência sem futuro. Uma mãe revoltada nos pedia para que fôssemos até à sua residência acalmar seu filho, que estava quebrando tudo dentro de casa e ameaçando seus familiares com uma faca peixeira. Provavelmente ele estava tendo uma crise de abstinência, pois exigia dinheiro para comprar crack e estava visivelmente transtornado.

Autorizados pela mãe, entramos na residência e, em meio aos destroços dos móveis e demais objetos espalhados pela sala, iniciamos o diálogo na tentativa de persuadí-lo. Em vão! Primeira tentativa frustrada, mas a conversa resolve 90% das ocorrências e continuamos a gastar saliva. A essa altura o nível de estresse tanto do perturbado quanto o nosso já era alto e a atenção redobrada . Foi quando de supetão o maluco parte contra mim com a faca em punho (aliás, sempre sou premiado, deve ser por causa do meu 1.70m). Instintivamente, eu e o outro soldado utilizamos o bastão para nos defender até conseguirmos dominá-lo. Não durou cinco minutos, mas a sensação é que dura muito mais tempo, a julgar pelo desgaste físico depois. Como tudo foi muito rápido não sei como escapei ileso, acredito que só tenha conseguido responder à ação por ter mantido uma distância segura do noiado. Não vou negar que exagerei na dose do “calmante”, nessas horas é díficil não ser passional e se exceder, pior para ele que não nos escutou. A mãe também estava revoltada mas para minha surpresa não ficou contra nós. O que, pasmem, geralmente acontece nesses casos.

- Dê uma surra nesse caba de pêia!

A que ponto aquela família chegou. Sequer a mãe tinha compaixão pelo vagabundo. Ela não sentia pena, não era nós que sentiríamos. Isso somente no calor dos acontecimentos. Na volta para Delegacia, com a cabeça fria, comentava com meu colega sobre essa tristeza, que me sensibilizara, que a droga é uma merda mesmo, o crack então a pior de todas… Perguntei-lhe se não sentia pena (da mãe, é claro) quando ele responde secamente:

- Nessas horas eu só tenho pena é do bastão!

Mão na cabeça! Como se comportar em uma abordagem policial....



- Fique calmo e não corra; Quem não deve, não teme - Deixe suas mãos visíveis e não faça nenhum movimento brusco; Lembre-se que os policiais também estão sob pressão - Não discuta com o policial nem toque nele; Qualquer ação pode ser interpretada como resistência - Obedeça estritamente o comando do policial; E tudo acabará bem se você não cometeu algum crime - Não faça ameaças ou use palavras ofensivas. Resistir só piora as coisas

Ao ser abordado você tem direito a…

- Saber a identificação do policial; Observe o nome na farda e/ou número na viatura - Ser revistado apenas por policiais do mesmo sexo que você; O Artigo 249 do CPP abre exceções, mas dificilmente algum policial arriscará cometer um abuso desse tipo - Acompanhar a revista de seu carro e pedir que uma pessoa que não seja policial a testemunhe; Mesmo sem testemunhas acompanhe a busca, mas aguarde a permissão do policial - Ser preso apenas por ordem do juiz ou em flagrante; Recebeu voz de prisão é melhor não reagir, pois se for necessário utilizarão a força - Em caso de prisão: não falar nada além de sua identificação, e de avisar sua família e seu advogado; Na delegacia tudo se resolve - Não ser algemado se não estiver sendo violento ou tentando fugir da abordagem. Discordo nesse ponto, uma vez que é impossível prever a intenção de alguém detido pela polícia. As algemas garantem a segurança dos policiais, de terceiros e até mesmo evita confrontos desnecessários com o detido. Vai de cada policial adotar ou não as “pulseiras”, caso ele queira algemá-lo é melhor aceitar

Agora vamos para o que acontece na prática. Policial não tem bola de cristal, por mais que ele tenha o tirocínio apurado é impossível ter a certeza que um suspeito está em flagrante delito, nem tampouco prever a reação do abordado. Por isso, partimos da premissa que a NOSSA SEGURANÇA ESTÁ EM PRIMEIRO LUGAR. Entenda porque cada ordem deve ser executada sem questionamento.

Mãos na cabeça. Quando mandamos alguém por as mãos na cabeça é mão na cabeça e ponto. Não se pretende humilhar o cidadão, o objetivo é evitar qualquer reação ofensiva, já que a maneira mais provável de tentar isso seja utilizando-as. Atenção! Levá-las ao bolso (para mostrar os documentos) pode desencadear uma resposta ainda mais hostil por parte dos policiais (trabalha-se com a hipótese de que uma arma pode ser sacada).

Abra as pernas. Não, nós não pretendemos realizar algum fetiche sexual. O que queremos é verificar se o abordado não escondeu algo ilícito (armas, drogas ou produto de roubo) em baixo de suas partes íntimas, entre outros locais. As pernas abertas também dificultam uma possível reação do abordado, que perde um pouco do equilíbrio para correr ou chutar o policial. Também não estranhe se mandarem ficar de joelhos ou até mesmo deitar no chão. Somente quem está abordando sabe a real necessidade (o risco que corre) de chegar a esse extremo. Aliás, isso é prática aprovada pelos órgãos defensores dos Direitos Humanos.

Pela minha pouca experiência percebi que as pessoas enquanto abordadas seguem um ciclo. Primeiro se negam a colaborar, normalmente com frases “Eu não sou vagabundo pra ser revistado” ou “Vá prender ladrão ao invés de perseguir cidadão de bem”. Sem efeito, apelam para a intimidação “Você sabe com quem está falando?” ou “Eu vou tirar a sua farda” e ainda aquele “Sou amigo/irmão/primo do coronel/delegado/vereador fulano de tal”. Igualmente ineficaz e já tornado algo que poderia ser simples em uma situação irreversíveltentam sensibilizar o policial com “Por favor, eu sou trabalhador. Me libera aí”. Sem sucesso apelam desesperadamente para o suborno com “Não tem uma maneira de resolvermos isso por aqui mesmo?”.

Sabendo disso, o principal conselho que dou a todos que me perguntam sobre o assunto: COLABORE! Os policiais estando certos ou não. Você estando certo ou não. É muito importante colaborar para pelo menos “minimizar problemas” e se por ventura se sentiu prejudicado procure posteriormente a Ouvidoria de seu Estado. Contudo, muito cuidado ao fazer denúncias, tenha certeza de que realmente houve excessos, pois você poderá prejudicar pessoas honradas que somente estavam cumprindo com o seu dever.

Manual Prático do Policial Militar....


  • Papel e caneta

Acredito que a maioria das ocorrências policiais são resolvidas no diálogo ou mesmo quando se faz necessário medidas enérgicas é importante registrarmos tudo. As pessoas mentem, se arrependem, desmentem, contam inúmeras versões, mudam seus testemunhos e não é difícil encontrarmos acusações contra a ação policial. Então, tenha a bordo da viatura caneta, papel e – para facilitar – alguns modelos de documentos pré-moldados, bastando apenas qualificar os autos. Segue dois dos mais básicos:

Autorização para entrada em domicílio – Esse é importante, imagine aquela conhecida ocorrência policial em que o marido agride a esposa (algumas vezes, filhos) dentro de casa. Depois que usamos a força e acalmamos os ânimos do agressor, é quase certo o arrependimento da mulher em ter nos chamado e principalmente se indignar por prender seu companheiro. Apesar de ser uma situação flagrante, o ideal é que o policial adentre a residência com a autorização do morador (a). Como ele (a) pode negar posteriormente que permitiu seu ingresso, o respaldo nesse documento livrará o PM de dores de cabeça no futuro. É bom lembrar que testemunhas são bem vindas. Nesse caso, pega aquelas vizinhas xeretas que ficam na calçada só “fiscalizando” o desenrolar da história.

Auto de resistência à prisão – Quem dera que todo suspeito detido assim o fosse de maneira pacífica, colaborativa. Infelizmente não é bem assim que acontece. E nossa atenção se redobra para não nos excedermos durante o calor da ocorrência. A Corregedoria é logo ali. Por isso, cuidado nas investidades, cuidado para não ser ferido, cuidado para que não machuquem inocentes e – se der – cuidado para não utilizar uma força desproporcional. Para esses casos, confeccione o documento. Novamente as testemunhas são bem vindas. Tudo bem que a máxima “melhor ser julgado por 7 do que carregado por 6″, amplamente difundida em nosso meio, tem a sua lógica de sobrevivência. Só que o ideal é evitar as duas situações.

  • Algemas

Parece lógico o uso delas e estritamente necessário em toda condução de preso (embora nossos Ministros do STF não pensem assim), mas dificilmente o Estado irá fornecê-las. Pelo menos eu ainda não vi meus colegas cautelando essa ferramenta. Até onde sei, cada um adquire a sua. Eu comprei a minha. Não espere pelos outros e se puder comprar da melhor, compre. Isso não é gasto, é investimento. Ela pode ser a garantia de sua vida. Quer retorno melhor?

  • Lanternas

Quantas vezes já realizamos uma busca em um ambiente escuro? Uma rua sombria, um prédio abandonado, o que seja. Tenha sempre a bordo da viatura uma lanterna potente e outra menor em seu cinto. Nós não somos o Batman, mas os apetrechos que carregamos são de uma utilidade ímpar, senão não estariam lá. A importância desse objeto triplica se você trabalhar em uma zona rural. E toda vez que for para o serviço confira se elas estão funcionando!

  • Luvas cirúrgicas

A gente encontra muita mazela e doenças são comuns. É melhor não arriscar, sempre que alguém estiver ferido coloque as luvas e mesmo depois lave bem as mãos.

  • Armas de fogo

Esse é o tipo de instrumento que a gente reza para não ter que usar, mas caso seja preciso queremos que esteja ao alcance e – claro – não falhe. Sendo assim, verifique as condições de seu armamento. Quando possível realize uma breve manutenção. Um kit de limpeza para pistola ou revólver não custa mais do que R$ 30,00. Logicamente tenha ele sempre em pronto emprego. Seja íntimo de sua arma, tenha munição farta e outra para garantir. O famoso backup.

  • Armas não letais

Elas são importantes porque nem toda situação que necessite o uso da força, deverá ser usado o chumbo. Às vezes, o bom e velho bastão resolve (talvez por isso já queiram proibi-lo). O importante é que você tenha outras opções antes de chegar ao extremo de usar a arma de fogo. Por isso, hoje em dia as polícias têm investido cada vez mais em táticas e tecnologias menos que letais. Ainda sonho com o dia em que cada equipe na rua disponha de taser (arma de choque incapacitante), bastão ou tonfa (aquele em forma de L) e o gás de pimenta. Agora cuidado com os excessos e lembre-se: essas coisas não são brinquedos.

*Essas são as dicas (bizus) mais básicas e que provavelmente todo policial já as conhecem muito bem. Seria muita pretensão acreditar que essas linhas sejam um “manual” para o PM. No entanto, esse espaço é acima de tudo para o aprendizado. Sendo assim, os colegas que quiserem compartilhar e enriquecer nossos conhecimentos ou ainda discutir sobre o complexo serviço policial fique a vontade nos comentários.

Mesmo com o risco da própria vida…


- Alô.

- Flávio!? Você está trabalhando hoje?

- Não, por quê?

- Graças a Deus! Teve um tiroteio na cidade, daqui dava pra ouvir os tiros. Parece que levaram os policiais como reféns. Ainda bem que você não está aqui…

- Como é!? Tiroteio!? Policial de refém!?

- É, meu filho, mas ainda bem que não foi com você.

Começo a ligar para meus colegas de serviço. A primeira chamada não é concluída, telefone desligado. Insisto, minha mãe percebe que fico preocupado e passa a prestar atenção. Ligo novamente, desligado. Ligo para outro colega. Ele me atende.

- Levaram Rênio*, Cromo* e o sargento Germânio*!

Era outro policial que também estava de folga, mas a par dos acontecimentos. Ligo para o tenente.

- Tenente, o que está acontecendo?

- Tentaram roubar o banco, levaram os policiais. indo pra lá agora.

- Eu vou também!

- Isso, vá.

Rapidamente me apronto e sigo para a cidade. Chegando no local, a cena era perturbadora. Várias marcas de tiros nas paredes e nos veículos, uma mancha de sangue no asfalto, um carro abandonado no meio da rua, muitos curiosos sem entender direito o que se passou e incontáveis policiais. Nessas horas que a gente percebe que, apesar de todas as dificuldades e reclamações no serviço, ainda somos unidos. Como dizem, “a família é grande”.

Informações desencontradas. Foi roubo? Resgate de preso? Tentativa de sequestro no fórum? Quantos bandidos? Recebo a notícia que meus companheiros estão bem, foram liberados quase ilesos depois que o helicóptero localizou a viatura roubada, o que permitiu a soltura dos policiais. Um sargento atingido na coxa, um soldado ferido por estilhaços no rosto e o outro soldado com problema de pressão. O alívio é imediato, mas ainda fica o desejo de responder à altura tamanho atrevimento. Já nos empenhamos quando não estamos diretamente envolvidos, imagine quando sentimos na pele a audácia dos marginais. Assim segue a “caçada”, diligências por toda a região, barreiras, buscas pelo canavial, o cerco se fecha. O primeiro bandido finalmente é preso.

Pela noite, consigo falar com o soldado que teve o rosto lesionado. Ele me conta os momentos de terror. Disse que os bandidos renderam um companheiro ainda na calçada e depois atiraram contra o prédio em que ele e o sargento se encontravam. Melhor armados e em maior número, os vagabundos intensificaram o ataque, que foi prontamente revidado pelos dois PMs acuados. Pelo rádio, ouviu-se o apelo desesperado por socorro:

- CIOSP! PRIORIDADE! #$&%!*@! CIOSP!

Em meios aos ruídos de interferência e aos barulhos dos disparos, os demais companheiros sabiam que alguém precisava de apoio, mas ainda não sabiam quem. Silêncio no rádio… O soldado efetua novos disparos e grita mais uma vez em seu HT.

- CIOSP! PRIORIDADE! PAPA MIKE*!

Finalmente o som pode ser entendido e rapidamente todas as viaturas que ouviram o pedido de apoio se dirigiram até o local solicitado. Apesar de irem o mais rápido possível, na maior parte arriscando as próprias vidas em um possível acidente, parece pouco. Não demorou 10 minutos para a chegada do reforço, mesmo assim, foi demais para quem está na iminência de morrer. São segundos preciosos. E tempo suficiente para acontecer algo ainda mais grave.

Percebendo que os policiais não iriam se render, eles utilizam o PM dominado como escudo e com uma pistola apontada para a cabeça dele, ameaçam matar o colega caso os demais não se entregassem. E agora? Qual a garantia que eles não o matarão mesmo depois da rendição? Qual a garantia de que eles não matarão todos? Nenhuma, mas era preciso arriscar. O marginal promete a integridade dos policiais. “Nós só vamos ‘fazer’ o banco”.

No entanto, eles não esperavam que houvesse mais dois agentes penitenciários a poucos metros dali. Os agentes realizavam a escolta de um detento para uma audiência no fórum da cidade. Quando ouviram os tiros, não tiveram dúvidas em agir contra os bandidos. Atordoada, a quadrilha desiste do roubo, agora só interessa fugir. Como garantia de fuga, levam os policiais algemados e na própria viatura. Até serem localizados pelo helicóptero, como dito pouco antes.

Na madrugada, mais dois presos. Restava a investigação para pegar os outros membros da quadrilha. Identificação dos bandidos, depoimentos, relembrar tudo. Não podia fazer muito, apenas prestar solidariedade e apoio no que meus colegas precisassem. O abalo emocional deles era evidente. Enfim, o dia acaba. Mais uma vez, voltam para casa salvos.

Meus colegas me perguntam por que insisto nessa profissão, já que eu tenho outras opções. Sinceramente, não sei. Pensamos que é melhor fugir dos problemas, sem qualquer reconhecimento, que não é inteligente nos arriscarmos desse jeito. Também temos famílias, filhos, mães, irmãos, esposas, namoradas que sofrem e se preocupam com a gente. Mesmo assim, gosto de ser policial. Tento fazer o meu melhor, não vou pedir para sair, quero acreditar que posso fazer diferença. Afinal, já ouvi dizer em algum lugar que quando os bons se omitem, o mal prevalece. É um sacrifício que estou disposto a fazer, foi um juramento que eu fiz.

Essa não é uma obra de ficção, embora nomes e lugares tenham sido alterados por questão de segurança.

Vida de PM....




Vida de PM

O sol se põe Mais um dia se vai É hora de me ajeitar A viatura logo vai chegar

A ronda se inicia Hoje completa um ano longe da minha familia…

Apesar da saudade, Sigo enfrentando o crime Como se estivesse em um “ringue”

Para muitos somos uns desocupados Gastando o combustível do estado Para outros somos uns folgados Querendo ser bem tratado

Para poucos, muito poucos Somos heróis, somos amigos, somos anjos de farda Esses poucos sabem de nossa realidade E admiram nossa coragem

Apesar das criticas e calunias Não me deixo abalar Afinal… SOU POLICIAL MILITAR TENHO UMA FARDA A HONRAR E VIDAS A SALVAR

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A fala de um Policial....


“Muito bem, Senhor Cidadão, eu creio que o senhor já me rotulou. Acredito que me enquadro perfeitamente na categoria em que o senhor me colocou. Eu sou estereotipado, padronizado, marcado, corporativista e sempre bitolado. Infelizmente, a recíproca é verdadeira. Eu não vou, porém, rotulá-lo. Mas, desde que nascem, seus filhos ouvem que eu sou o bicho papão, e depois o senhor fica chocado quando eles se identificam com meu inimigo tradicional…. O criminoso!

O senhor me acusa de contemporizar com os criminosos, até que eu apanhe um de seus filhos em alguma falta.

O senhor é capaz de gastar uma hora para almoçar e interrompe o serviço para tomar muitos cafés por dia, mas me considera um vagabundo se paro para tomar uma xícara.

O senhor se orgulha de seu refinamento, mas nem pisca quando interrompe minhas refeições com seus problemas.

O senhor fica fulo quando alguém o fecha no trânsito, mas se eu o pegar fazendo à mesma coisa, estarei lhe perseguindo.

O senhor conhece todo o Código de Trânsito, mas nunca porta os documentos obrigatórios.

O senhor acha que é um abuso se me vê dirigindo em alta velocidade para atender uma ocorrência, mas sobe pelas paredes se eu demoro dez segundos para atender um chamado seu.

O senhor acha que é parte do meu trabalho se alguém me fere, mas diz que é truculência da Polícia se eu devolvo uma agressão.

O senhor nem cogita em dizer ao seu dentista como arrancar um dente, ou ao seu médico como extirpar seu apêndice, mas está sempre me ensinando como aplicar a lei.

O senhor quer que eu o livre dos que metem o nariz na sua vida, mas não quer que ninguém saiba disso.

O senhor brada: É preciso fazer algo para combater o crime, mas fica furioso se é envolvido no processo.

O senhor não vê utilidade para minha profissão, mas certamente ela se tornará valiosa se eu trocar um pneu furado de sua esposa, ou conduzir seu menino no banco de trás do carro patrulha, ou, talvez, salve a vida de seu filho com uma respiração boca-a-boca, ou trabalhe muitas horas extras procurando por sua filha que sumiu.

Assim, Senhor Cidadão, o senhor pode levantar e sair, dizer impropérios e se enfurecer pela maneira pela qual executo meu trabalho, dizendo todos os nomes feios possíveis. Mas nunca se esqueça que sua propriedade, sua família e até sua vida depende de mim e de meus colegas. Sim, Senhor Cidadão, eu sou um Policial!!!” Diz a lenda que o autor deste artigo, o soldado Mitchel Brown, da Polícia Estadual de Virgínia (EUA), morreu em serviço dois meses depois de escrevê-lo.

Profissão Policia: Dedicação integral....


Entrei no Diário de Um PM (como faço quase que diariamente) e me deparei com uma postagem do Flávio Henrique se referindo ao blog do Capitão Mano, onde o mesmo lista 5 razões para detestar ser policial militar. Eu como civil estudando para concurso da PM é bom ver em blog o cara vibrando enaltecendo a corporação, mas é sempre bom ver o outro lado da moeda, principalmente mostrado por quem está dentro da caserna. Lendo o post do Capitão Mano me deparei com a razão número 2 e resolvi escrever sobre ela:

Razão DOIS: o povo. A relação da polícia com o povo é como uma faca de dois gumes. Alguém sempre sai perdendo nesse embate. Em meio à população, há de tudo: pais de família, trabalhadores, homens de bem, pessoas de boa índole, estudantes, menores, grupos vulneráveis, doentes e incapazes, e os que reúnem um pouquinho de tudo. Ao que parece, só não tem bandido. Todos, na intenção de demonstrar sua indignação, gritam aos quatros cantos do mundo que não são isto, não são aquilo ou que são assim ou daquele jeito. À polícia cabe a ação. E, se ela não age, erra pois foi chamada para agir e, se não ia fazer nada, para que foi até lá(?); se age, erra também porque exagera. Se não ia dar flores, também não precisava ser grosseiro(!). É chamada para controlar. E quando controla, aparecem especialistas de todas as brechas para criticar. O povo está quase sempre contra, pois é do seu meio que provém toda a mazela da vivência humana. E, quem quer ser a mazela? Quem admite ser pai, mãe de uma ou ser a materialização da mazela? Quem quer ser a ‘pessoalização’ do que é ruim no meio social? Daí a se compreender o porquê da relação pífia entre polícia e sociedade…

Não vou escrever um post utópico aqui falando que a Polícia tem sempre razão que é tudo as mil maravilhas pois não é, a Polícia é um trabalho como outro qualquer você vai entrar vai ter momentos de alegria, de frustração, vai ter vontade de chutar o pau da barraca, é uma relação amor e ódio. Mas caro leitor acompanhe meu raciocínio nesses casos:

1° Caso: Uma vez entrei na comunidade da PMMG no Orkut e tinha um desabafo de um pai de família contando que pegou seu carro, colocou dentro sua esposa, seus 2 filhos e sua sogra, foi rumo à Belo Horizonte fazer turismo. Na cidade foi parado por uma blitz da PM onde a mesma constatou que o documento do seu carro estava irregular. Seu carro foi apreendido, ele ficou ali com a sua família na sua, e durante 1 hora a PM não parou mais nenhum veículo. Conclusão do pai de família a PM estava errada, o pai de família andando com o documento irregular não estava errado.

2° Caso: Um jovem de aproximadamente 22 anos, saiu com sua namorada e seus amigos, parou num barzinho, curtiu uma música ao vivo, comeu uma porção, bebeu sua cervejinha (afinal todos ali trabalham durante o dia e fazem faculdade a noite). Voltando para casa foi parado numa blitz, pelo teste do bafômetro foi constatado que o nível de álcool no sangue dele estava acima, o condutor tomou aquela multa salgada de quase mil reais, teve a habilitação apreendida. O PM ainda perguntou se alguém estava com o álcool no sangue abaixo do permitido para assumir a direção, como não tinha, o carro foi apreendido. O condutor se exaltou, agrediu o policial verbalmente (quase o agrediu fisicamente). Conclusão, a PM estava errada por cumprir a lei seca.

3° Caso (Esse aconteceu comigo): Como eu disse anteriormente a polícia não é um mar de rosas, mas veja esse caso que aconteceu comigo. Estava eu saindo do meu trabalho no meio da tarde voltando para casa feliz pois tinha sido transferido para um setor melhor. De repente sinto um vulto de um cara de bicicleta vindo do meu lado abri espaço para ele passar mas ele não passa. Para ao meu lado saca um revólver 38 e pede meu celular. Claro que eu entreguei o celular sem esboçar nenhuma reação (nesses momentos é melhor, vai que o cara está com a arma só para assustar e no susto dispara. Eu não vou perder minha vida por causa de 200 reais.). Assim que entreguei o celular sai correndo ao som das ameaças do assaltante. De repente eu vejo uma Blazer da Polícia Civil, linda toda imponente parada na rua, parecia que tava me esperando. Já cheguei falando para o policial que eu tinha sido assaltado e o sujeito estava armado, e sabe o que ele me disse “to fora da minha área, se vira e liga pro 190”.

Na minha mera concepção de civil o polícia independente de ser civil ou militar ele trabalha para o Estado, então a área de atuação dele é o Estado e não somente a jurisdição do seu Distrito ou Batalhão.

Eu confesso que depois dessa “patada” eu fiquei decepcionado com a Polícia, mas ainda não desisti do meu sonho. Acredito que a fama que a Polícia tem é muitas vezes criada pelos próprios policiais que estão ali vivendo frustrados dentro de sua carreira, entraram achando que era uma coisa mas virou outra, e essa frustração acaba passando para o cidadão. Mas mesmo assim eu não desisti desse objetivo de ser policial. Pois pra mim vai ser a minha maneira de fazer a diferença na sociedade.

Abraço, Bruno Henrique.

Desculpas inusitadas para não ser multado...

Deus tira multa?

- E já é lei? Desde quando?

Foi assim que um cidadão espantado me indagou quando lhe pedi que colocasse o cinto de segurança.

- O senhor é habilitado? – Perguntei educadamente.

- Dirijo há mais de 20 anos – me respondeu com um ar de arrogância.

- Então porque o senhor não usa o cinto de segurança?

- É o calor!

Achei a resposta um pouco vaga e fiquei me perguntando como uma tira de 8 centímetros de largura poderia matar alguém de insolação.

- Mas senhor, é para sua segurança!

- Meu filho eu sei, mas não tem fiscalização… E você sabe…

– Sei o que? E se não tem fiscalização o que é que eu sou? Será que o problema ta na farda? “Talvez uma melancia no pescoço ajude, o truque da melancia no pescoço nunca falha”

-Senhor use o bom senso!

-Ta certo meu filho, vai me multar?

-Não senhor, estou apenas advertindo para que não cometa o mesmo erro outra vez.

- Muito obrigado! – Disse – e saiu sem por o cinto.

Trabalhar no setor de trânsito faz com que diariamente me depare com esse tipo de situação, porém, o que mais me admiro é da criatividade ou da total falta dela em muitas dessas ocasiões por parte dos condutores. Eu mesmo não sabia que o código de trânsito estava subordinado a várias outras leis que o anulam completamente. Vejamos por exemplo a lei do “Bem Ali”. Caso você seja apanhado trafegando em sua motocicleta conduzindo um passageiro sem capacete basta usar a lei do “bem ali” que diz no parágrafo II, inciso IV que: Todo condutor tem o direito de trafegar em seu veículo da maneira que bem entender desde que seu local de destino seja: Bem Ali, Acolá ou só até aqui. A lei também é válida se o condutor veio de uma distância igual ou menor do que “daqui de pertim”. No que diz respeito à motocicleta a lotação excedente é uma das campeãs em desculpas estranhas.

- O senhor tem conhecimento que é proibido trafegar com mais de um passageiro em sua moto, não tem? – perguntei ao mototaxisista.

- É que o “bichim” ta doente e a gente vem do hospital.

- Quem é que ta doente mãe? – O menino espantado perguntou olhando para mãe.

- Cale a boca menino, você não sabe de nada! – Ora, se ele não estava doente, com certeza a surra que ele iria levar quando chegasse em casa o deixaria.

Certa vez um condutor flagrado com suspeitas de embriaguez disse que negava-se a fazer o “marfômetro”, bem, na concepção dele talvez beber água do mar seja crime. Outro dia uma senhora revoltada me indagou em um cruzamento – porque os “transuentes” nunca tinham a vez na faixa de pedestres? – talvez porque a faixa seja para os transeuntes, pensei.

Outra coisa que me intriga é não saber a medida exata de “um minutinho”, estrelas no céu, gotas de água no mar, a extensão do universo, nada disso se compara ao incalculável minutinho . “policial, vou deixar o carro aqui só um minutinho”. Pronto! Foi-se a ordem natural das coisas. Um dia tem 24 horas, um ano tem doze meses e a copa é a cada quatro anos, mas a porcaria do “minutinho” ninguém sabe.

- Algum problema meu filho? – disse um senhor parado em uma blitz na divisa entre o RN e a PB.

- A placa da moto do senhor ainda é amarela!

- Gostou? Fui eu que fiz. – proferiu me fitando com orgulho. Seria uma imbecilidade perguntar se aquele simpático “artesão” de idade avançada tinha carteira de habilitação, respirei fundo, pensando em uma forma de repreendê-lo, porém a única coisa que me vinha à cabeça era “fui eu que fiz”.

O que me motivou a escrever sobre essas situações excêntricas no meu trabalho foi saber que na hora do aperto vale até apelar pra Deus, só pra ver se ele dá uma forcinha, pois quando um cidadão flagrado transportando seu passageiro sem capacete implorou para que meu comandante de guarnição não fizesse a notificação porque era sábado de aleluia, eu não sustentei a postura de militar e caí na risada. O mandamento é guardai os dias santos e não, não multarás em dias santos. Há dezenas de situações como essas no nosso dia-a-dia de policial de trânsito e são essas situações que tornam esse trabalho tão especial. Gostou? “Fui eu que fiz”.

Adriano Araújo, policial militar do Rio Grande do Norte, lotado no 3º DPRE